Cardiomiopatia hipertrófica:  o que é, sintomas e tratamento

Corredor segura o peito ilustrando dor no coração causada por cardiomiopatia hipertrófica

A cardiomiopatia hipertrófica é uma das doenças cardíacas que mais despertam preocupação entre atletas e pessoas que praticam exercícios físicos intensos. Embora seja relativamente rara, ela está entre as principais causas de morte súbita em atletas, especialmente em jovens que aparentam estar saudáveis e não apresentam sintomas evidentes.

Isso não significa que praticar esportes seja perigoso. Pelo contrário: a atividade física é uma das maiores aliadas da saúde cardiovascular. O problema acontece quando existe uma doença cardíaca silenciosa que ainda não foi identificada. Por isso, a avaliação médica antes de iniciar treinos intensos ou competições é tão importante.

Neste artigo, você vai entender o que é a cardiomiopatia hipertrófica, quais são suas causas, os principais sinais de alerta, como é feito o diagnóstico, quais tratamentos existem e por que a avaliação cardiológica preventiva pode reduzir significativamente o risco de complicações.

O que é cardiomiopatia hipertrófica?

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma doença do músculo do coração caracterizada pelo espessamento anormal das paredes do ventrículo esquerdo, principalmente da região chamada septo interventricular.

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Esse aumento da espessura dificulta o relaxamento do coração entre os batimentos e, em alguns casos, também atrapalha a saída do sangue para o restante do corpo. Isso pode gerar problemas como:

  • redução da capacidade de bombeamento durante o esforço;
  • maior predisposição ao surgimento de arritmias;
  • diminuição do desempenho físico;
  • risco aumentado de eventos cardiovasculares graves em algumas pessoas.

A cardiomiopatia é uma doença que afeta aproximadamente 1 em cada 500 indivíduos e possui forte componente genético. Muitas pessoas podem conviver com ela durante anos sem saber.

Morte súbita no esporte

A maioria das pessoas com cardiomiopatia hipertrófica nunca apresentará um evento grave. No entanto, em uma parcela dos pacientes, principalmente quando a doença não foi diagnosticada, exercícios de alta intensidade podem favorecer o surgimento de arritmias potencialmente fatais.

Por esse motivo, a CMH é considerada uma das principais causas de morte súbita no esporte, principalmente em atletas com menos de 35 anos.

Durante treinos intensos, o coração precisa bater mais rápido e bombear grandes volumes de sangue. Em um coração que apresenta espessamento importante do músculo cardíaco, essa adaptação pode não ocorrer adequadamente, aumentando o risco de alterações elétricas.

Vale destacar que esse risco varia conforme diversos fatores individuais, como histórico familiar, grau de hipertrofia, presença de arritmias e sintomas.

O que causa a cardiomiopatia hipertrófica?

Na maioria dos casos, a cardiomiopatia hipertrófica é uma doença hereditária. Ela ocorre devido a mutações em genes responsáveis pela produção das proteínas que formam o músculo cardíaco. Essas alterações são transmitidas entre gerações em padrão autossômico dominante, o que significa que filhos de pessoas diagnosticadas possuem maior risco de desenvolver a doença.

Entretanto, nem todos os portadores da alteração genética apresentam sintomas ou desenvolvem o espessamento do coração.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
  • casos de morte súbita em familiares jovens;
  • parentes com insuficiência cardíaca sem causa conhecida;
  • alterações cardíacas identificadas em exames de rotina.

Quando um paciente recebe esse diagnóstico, é comum que familiares de primeiro grau também sejam orientados a realizar investigação cardiológica.

Quais são os sintomas de cardiomiopatia hipertrófica?

Um dos grandes desafios da doença é que ela pode permanecer silenciosa durante muitos anos. Em alguns pacientes, o primeiro sinal acontece apenas durante um exame de rotina. Em outros, surgem sintomas que tendem a piorar durante atividades físicas intensas.

Os principais sintomas de cardiomiopatia hipertrófica são:

  • falta de ar aos esforços;
  • dor ou pressão no peito durante exercícios;
  • palpitações;
  • tontura;
  • sensação de desmaio;
  • desmaios, especialmente durante atividade física;
  • fadiga desproporcional ao treino.

Além disso, qualquer episódio de desmaio relacionado ao exercício merece avaliação médica imediata.

Como detectar cardiomiopatia hipertrófica?

O diagnóstico combina avaliação clínica, histórico familiar e exames complementares. Durante a consulta, o cardiologista investiga:

  • sintomas durante atividades físicas;
  • episódios de desmaio;
  • histórico de morte súbita na família;
  • doenças cardíacas hereditárias;
  • alterações em exames anteriores.

Dependendo da suspeita, são solicitados exames específicos, como ecocardiograma, eletrocardiograma e o teste ergométrico.

Ecocardiograma

É considerado o principal exame para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar o funcionamento do coração.

Eletrocardiograma

Pode mostrar alterações elétricas sugestivas da doença, embora nem sempre seja suficiente para confirmar o diagnóstico.

Teste ergométrico

Permite observar como o coração responde ao esforço físico, sendo útil principalmente na avaliação de sintomas relacionados ao exercício.

Holter 24 horas

Registra o ritmo cardíaco continuamente durante um dia inteiro, auxiliando na identificação de arritmias.

Ressonância magnética cardíaca

Em alguns casos, fornece imagens mais detalhadas do músculo cardíaco e ajuda na estratificação de risco.

Quem deve fazer check-up cardiológico antes de praticar esportes?

Embora qualquer pessoa possa se beneficiar de um check-up cardiológico, alguns grupos merecem atenção especial. A avaliação cardiológica para atletas é indicada principalmente para:

  • corredores de longa distância;
  • ciclistas;
  • triatletas;
  • praticantes de CrossFit;
  • jogadores de esportes competitivos;
  • adolescentes que iniciam competições;
  • executivos que treinam intensamente após anos de sedentarismo;
  • pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas.

Também é recomendada para quem apresenta falta de ar, dor no peito, palpitações ou desmaios relacionados ao exercício.

Como é o tratamento da cardiomiopatia hipertrófica?

O tratamento depende da gravidade da doença, dos sintomas e do risco individual de complicações. Os principais objetivos são aliviar sintomas, controlar arritmias e reduzir o risco de eventos cardiovasculares. Os tratamentos para cardiomiopatia podem incluir:

  • medicamentos que diminuem a frequência cardíaca e facilitam o enchimento do coração;
  • controle rigoroso da pressão arterial;
  • acompanhamento cardiológico periódico;
  • restrições temporárias ou permanentes para determinados esportes competitivos;
  • implante de cardiodesfibrilador (CDI) em pacientes de alto risco;
  • procedimentos para reduzir a obstrução do fluxo sanguíneo em situações específicas.

A prevenção começa antes dos sintomas

Muitas pessoas descobrem alterações cardíacas durante um check-up, antes mesmo de desenvolver qualquer sintoma. Esse diagnóstico precoce permite definir quais atividades físicas são seguras, iniciar tratamento quando necessário e acompanhar a evolução da doença ao longo do tempo.

Para atletas e praticantes de exercícios intensos, investir em prevenção significa treinar com mais tranquilidade. Se você apresenta sintomas durante os treinos, possui histórico familiar de doenças cardíacas ou deseja realizar uma avaliação preventiva antes de iniciar atividades de alta intensidade, contar com um cardiologista especializado faz toda a diferença.

O Dr. Juliano Matos, cardiologista pelo InCor-USP e integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, realiza check-up cardiológico completo na Bela Vista, em São Paulo. 

A avaliação inclui consulta detalhada, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço e um plano personalizado voltado para prevenção de doenças, longevidade e acompanhamento da saúde cardiovascular. Agende sua consulta agora

FAQ - Perguntas frequentes

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